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Nunca perca a esperança nas promessas de Deus

Só mais um minuto

Um homem, no limite de suas forças, atentou contra a própria vida com
uma arma de fogo. Ouvindo o tiro, o vizinho entrou naquele
apartamento, e ao lado do corpo encontrou uma carta assim escrita:

"Não deu para suportar.

Passei a noite toda como um louco pelas ruas.

Fui a pé...não tinha condições de dirigir.

Perdi meu emprego por injustiça feita contra mim. Nada mais consegui.

Ontem telefonaram avisando que minha moradia no campo foi incendiada.

Estava ameaçado de perder este apartamento por não ter pago as prestações.

Só me restou um carro tão desgastado que nada vale.

Afastei-me de todos os meus amigos com vergonha desta humilhante
situação... e agora, chegando aqui, não encontrei ninguém...fui
abandonado e levaram até minhas melhores roupas!

Aquele que me encontrar, faça o que tem que ser feito.

Perdão.

O vizinho dirigiu-se ao telefone para chamar a polícia.

Quando esta chegou viu que havia recado na secretária eletrônica. Era
a voz da mulher do morto:

- Alô ! Sou eu querido! Ligue para a firma! O engano foi reconhecido e
você está sendo chamado de volta para a semana que vem! O dono do
apartamento disse que tem uma boa proposta para não o perdermos!

Estamos na nossa casinha de campo. A história do incêndio era trote!

Isso merece uma festa, não merece? Nossos amigos estão vindo para cá. Um beijo!

Já coloquei suas melhores roupas no porta malas do seu carro. Vem!

Nunca perca a esperança, por piores que sejam as circunstâncias.

Fonte: Melodia

Espiritualidade: uma teologia para esperança

Espiritualidade: uma teologia para esperança

Gedeon Lidório Jr


Não eram mais que dez horas da noite; estava frio, ventava e o escuro fazia o fogo que crepitava na fogueira no meio da mata ficar ainda mais vivo. Lembro-me bem desta fogueira, numa mata, ao sul de Minas Gerais em um acampamento de estudantes de teologia; estava sozinho olhando a fogueira e pensando em como o fogo queimava e consumia a madeira, nas vidas que aquecia e na escuridão que iluminava.

Hoje, lembrando dessa fogueira ainda sinto o calor provocado por suas chamas e penso no calor de homens e mulheres que anseiam ser mais santos, buscando justiça em meio à injustiça, tendo sede do amor do Pai principalmente quando se sentem abandonados, querendo servir e entregar vida, família, bens, saúde, vontade, mesmo não tendo assim tanta certeza de para onde se vai, quer ver implantado o reino de amor de Jesus, sua legítima e última vontade – “sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8) – o reino de Deus!

Tirando os olhos da fogueira e focalizando os santos e a situação em que se encontra a religiosidade evangélica brasileira, não posso deixar de me entristecer. Vejo homens e mulheres que têm suas vontades acima da vontade do Senhor da Igreja; onde morrer já é mais lucro, mas a vida tem mais a oferecer; onde justiça é apenas o nome que se dá para aquilo que se deseja que aconteça; onde vida, família, bens, saúde são apenas adereços na busca de uma felicidade solitária e egoísta onde o cumprimento da vontade tendo como ponto de referência não o outro, mas a si mesmo; sendo assim, a verdade é relativizada, cada um tem a sua própria e o meu ponto de vista é mais verdadeiro que dos outros e a partir dessa “verdade” eu crio bodes expiatórios para justificar os meus desacertos, desconsolos e decepções.

O tema da espiritualidade passa despercebido da grande maioria, pois provoca em alguns êxtases que tiram os seus pés da terra e o levam em uma verdadeira viagem astral; para outros, porém, a espiritualidade precisa passar por negações, verdadeiros autoflagelos, onde Deus não é glorificado, mas temido, e o sacrifício de Cristo é apenas um referencial teórico.

Como ser espiritual num mundo hedonista e marcado por uma espiritualidade hipócrita e farisaica? Os desafios que a nossa cultura brasileira impõe sobre a espiritualidade cristã são tremendos principalmente no que tange a separação entre uma espiritualidade sadia e a teologia. Tomás de Aquino, no fim da idade média, propõe que o relacionamento com Deus é algo separado do conhecimento mais intelectual, ou sistemático a seu respeito, levando a teologia para uma categoria que ela nunca pertenceu: apenas de ciência desprovida de relação íntima com Deus e incapaz de provocar no ser humano um avivamento amoroso em relação a Deus. Cria-se então este abismo.

Quero propor algumas pistas para enxergamos bíblica e teologicamente esta verdade:

Em primeiro lugar gostaria de pontuar que existe uma batalha espiritual onde a minha vida e a sua vida estão inseridas e de onde se apreende vários fatos.

A guerra que está acontecendo não está fora do alcance da minha visão – ela é espiritual, mas acontece no aqui, no agora, entre nós, no meio de nossos relacionamentos e necessidades.
O prêmio para as batalhas que acontecem nesta guerra geralmente passam pelo meu (e seu!) coração – ou seja, somos os alvos finais da batalha.
E, por mais que tentemos, não podemos ser suíços e neutros nesta batalha.
Em segundo lugar a Palavra de Deus nos instrui várias coisas acerca de nossa espiritualidade e em como a desenvolveremos.

É uma luta contra o mal estabelecido – Paulo em Efésios diz que lutamos contra os kosmokratoras (a expressão que ele usa em Efésios 6.11 e 12 é: “dominadores deste mundo tenebroso” que, traduzindo para uma realidade mais próxima do nosso entendimento, seriam aqueles seres que planejam e sabem como fazer o mal, tendo informações detalhadas para um planejamento estratégico do mal que envolve nossas vidas em suas íntimas considerações – são os burocratas do mundo maligno que fazem os planos de destruição de tudo o que é bem sobre a terra trazendo injustiças, desvios, corrupções pessoais e estruturais e tudo o que pode em longo prazo redundar em benefícios para que o mal prevaleça.
A autoridade sobre este tipo de mal passa necessariamente pela autoridade que foi outorgada a Jesus através de sua obediência a Deus, onde ele submete-se para viver como ser humano, sofrendo suas dores e para pagar o preço pelo seu resgate, morrendo a morte destinada a cada um de nós – Lucas no capítulo 11 de seu evangelho narra que Jesus ensina que ele, o Mais Valente, toma a armadura (o termo aqui é panoplian – uma armadura especial que os generais estrategistas e líderes de guerra usavam) do Valente e divide os despojos com sua Igreja, revestindo esta Igreja, você, eu, cada um de nós, com o poder e autoridade sobre o mal.
Estas duas situações que coloquei aqui, teologicamente definidas como “batalha espiritual”, tendem a nos levar a um nível “avançado” de batalha, onde as armas não são imagináveis e toda a ação se passa num vácuo temporal (e espacial!) sem sentido, alienante e que não produzirá um efeito duradouro em nenhum de nós.

Vamos olhar para a Bíblia e entender a teologia de uma espiritualidade que é geradora de esperança e não de medo, desavenças e brigas paradoxais.

Em Efésios capítulo 6 temos talvez a noção mais real de que esta batalha envolve o mundo espiritual (vamos falar melhor: sobrenatural) com o nosso mundo carnal, físico, onde a vida acontece diante de nossos olhos. Ali somos instados a tomar a armadura de Deus, nos revestirmos com o poder do Senhor para batalhar a guerra que está em andamento, mas se olharmos com olhos atentos veremos que a batalha que supostamente deve acontecer no céu é descrita pelo próprio apóstolo como sendo uma batalha do dia-a-dia, dos relacionamentos, não verticalizada, seres humanos contra seres espirituais/sobrenaturais, mas a batalha se dá em meio à nossa vida, em nossos relacionamentos, acontece de forma horizontalizada e não é regionalizada, mas é geral, em todos os segmentos humanos.

Neste contexto de guerra é fácil cairmos em tentação de espiritualizarmos (ou talvez de levarmos a batalha para um terreno onde ela não poderá acontecer) toda a missão que nos está proposta, entretanto, Efésios 6:20 coloca nosso pé novamente no chão e devemos então enxergar corretamente isso – Paulo está numa prisão, algemado, limitado, sozinho, abandonado, sentindo-se vil e desprezado – mesmo assim ele deseja sair da prisão para abrir sua boca e proclamar o nome de Cristo entre as pessoas. Isso nos lembra então que a nossa luta não é contra carne e sangue, mas é pela libertação da carne e do sangue – é uma luta contra a injustiça, contra os falsos relacionamentos, contra a deturpação da verdade e conseqüente levante para o erro, contra a falsidade, contra a hipocrisia, e tudo isso num nível muito mais íntimo do que gostaríamos, porque a luta principalmente ocorre e acontece entre as paredes do meu e do seu coração – aí as batalhas são travadas e as vitórias alcançadas e as derrotas vividas no dia-a-dia da vida do cristão.

Oscar Cullmann diz que “já foi ganha a batalha decisiva. A guerra porém continua até o dia da vitória” (Salvation in History, citado no Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento).

Quando a dor chega e a resposta de Deus parece ou demorar ou ser negativa; quando a situação no casamento piora tanto que o divórcio parece ser a única solução viável; quando seu filho ou sua filha adolescente recusa-se a atender seus apelos e se joga num mundo de drogas, sexo e más companhias; quando um pai ou uma mãe olha para o filho recém-nascido e sabe que ele não terá muito tempo de vida; quando o seu amigo, aquele que comia na sua casa, de repente se volta contra você como se nunca o tivesse conhecido; quando uma criança se alimenta do lixo pois seus pais não têm como obter uma melhoria de vida suficiente para lhe dar um mínimo de dignidade e sobrevivência; quando... bem, quando tudo isso e muito mais acontece é que a guerra, a batalha realmente aparece. É aí, nesta horizontalidade normal de nossa vida, muitas vezes sofrida, injusta e apodrecida que a batalha acontece – é aí que vitórias são ganhas ou derrotas experimentadas e é aí que a armadura faz sentido, quando em meio a estas tão desalmadamente medonhas situações você e eu nos rendemos a Deus em um passo de fé, que não é um salto no escuro, mas uma certeza, uma convicção de que estamos revestidos com sua autoridade e poder para em meio aos nossos relacionamentos extrairmos daí vida e não morte, esperança e não desespero, saída e não becos fechados.

A verdadeira vitória na batalha espiritual se dará quando você e eu nos dispusermos a andar mais uma milha, a ceder, a tornar o outro o alvo de nosso amor e simpatia, quando eu concedo ao outro a honra de tratá-lo como eu gostaria de ser tratado... a verdadeira batalha espiritual então terá sido ganha e Deus glorificado!

Entendemos a realidade; sabemos o que a Bíblia diz a respeito; conseguimos esquematizar nosso pensamento e então é hora de uma teologia prática que redunde numa transformação da realidade que nos cerca, trazendo uma espiritualidade que denote esperança num mundo sofrido e sem Deus – é nossa vez; é vez de transformarmos a realidade!

Então, quando pensarmos em espiritualidade é necessário pensar em relacionamentos, em realidade, em limitações humanas, pecados vividos e revividos, certezas e d

dúvidas alentadas, mas acima de tudo é preciso pensar que Cristo desenvolveu a espiritualidade que deve ser o nosso padrão: ele construiu uma espiritualidade solidária e nós precisamos imitá-lo ao edificarmos sobre este fundamento solidário e cristocêntrico.

A espiritualidade em nossas vida deve gerar esperança e não apenas apegar-se ao celeste porvir, como se desse mundo Cristo não aproveitasse nada e não quisesse fazer nada – o mundo, os seres humanos, a natureza e tudo mais é CRIAÇÃO de Deus e, como tal, geme e suporta esperando a redenção, onde você e eu somos peças chaves para a libertação e a transformação dessa realidade, trazendo uma espiritualidade que tem os olhos fitos no céu e os pés firme no chão, onde o amor se revela no perdão e a natureza espiritual é mostrada através do conceder aos outros oportunidades e upgrades na compaixão e misericórdia – a espiritualidade de Jesus traz à nossa memória que preso... fostes me ver... nu... me vestistes... com sede... me deste de beber...

Que Deus seja glorificado aqui, agora, em nossa época, através da sua e da minha espiritualidade cristocêntrica e solidária!



Fonte: www.irmaos.com

 
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