LUIS FERNANDO VERISSIMO - COMÉDIAS PARA SE LER NA ESCOLA | |||
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LIVROS: LUIS FERNANDO VERISSIMO - COMÉDIAS PARA SE LER NA ESCOLA
Livros, Elite da Tropa
Elite da Tropa
Autores: Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel
O livro "Elite da Tropa" deu origem ao filme "Tropa de Elite" e ambos foram ultra comentados na época do lançamento e um bom tempo depois. Assisti um pedaço do tal dvd "pirata" (até hoje, acho que foi estratégia, em grego strateegia, em latim strategi...), e vi o filme duas vezes no cinema. Assim como a maioria dos espectadores, fiquei com algumas frases de efeito do Capitão Jack Sparrow Nascimento na cabeça. O Mussa me falou do livro e claro, fiquei com vontade de ler. Afinal, livro e filme suscitaram debates, entrevistas e reportagens especiais sobre o BOPE, sobre a violência no Rio, técnicas de tortura a bandidos, vida nas comunidades carentes e corrupção na polícia, dentre outros temas.
Luiz é antropólogo e ex-subsecretário de Segurança Pública do Rio. André e Rodrigo, policiais. Eles criaram um livro com uma narrativa empolgante, do tipo que você lê em um dia, sem enjoar. Apesar da crueldade descrita, há um clima descontraído, de humor (negro, claro. Vide "golfinhos de Miami"). Assim como no filme, gírias, xingamentos e palavrões aparecem em quase todas as páginas. (Crianças, não façam isso em casa).
"Há quem pense que as pessoas se corrompem porque ganham pouco. Raciocínio estranho. Afinal, há milhões de pobres, no Brasil: gente séria e honesta. Por outro lado, os crimes de colarinho branco multiplicam-se feito epidemia. E há o próprio caso do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o BOPE, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que até recentemente era um grupo pequeno e fechado, composto por 150 homens treinados para ser a melhor guerra urbana do mundo. Eles recebiam o mesmo salário de seus colegas da polícia convencional, mas eram incorruptíveis. Foram acusados de brutalidade desmedida, mas sua honestidade foi amplamente reconhecida."
"O BOPE não foi preparado para enfrentar os desafios da segurança pública. Foi concebido e adestrado para ser máquina de guerra. Não foi treinado para lidar com cidadãos e controlar infratores, mas para invadir territórios inimigos."
Escrito por Sara
Livros: Identidades Culturais na Pós-Modernidade
Identidades Culturais na Pós-Modernidade
Autor: Stuart Hall
Logo que entrei na faculdade, me informaram que "Teoria da Comunicação" era uma matéria horrível, impossível de ser compreendida e com o maior percentual de reprovação: uns 75% dos alunos repetia e o resto passava raspando. Fiquei incólume, com 8,5 de média. Teoria II foi um pouco mais traumática e marcante: trocaram a ótima professora por um cara que achei bizarro. Nas primeiras aulas, pasmei com a imbecilidade dos comentários do professor: big brother e futebol. O tema em si não era o problema, e sim o viés papo-de-salão-de-beleza.
Ele ficou doente e surgiu um professor substituto. Foi a melhor aula do semestre! O cara falava o tempo todo, num ritmo empolgante, enquanto gesticulava e despejava conteúdo de forma interessante. Perguntei se ele tinha horário disponível, ele disse que sim. Tentei a troca definitiva de professores, mas não deu certo. *Frustração*.
O professor oficial voltou e quando ele perguntou o que a turma achava das aulas dele, ninguém falou nada (as pessoas têm medo de se expor). Mas, quem pergunta espera uma resposta e eu respondi que a aula era ruim, sem conteúdo e que a cadência da voz dele provocava sono (todo mundo ficou espantado, mas quem mandou perguntar?). Ele disse que iria melhorar.
E não é que o cara melhorou? Melhorou a ponto de ficar ininteligível, pra mostrar que ele não era um idiota falando asneiras. Mas no fundo, às vezes eu tinha a impressão que ele só fazia um verborrágico jogo de palavras que a maioria não entendia o que significava. A aula começava às 19:00 e terminava 21:00. durante esse período, eu tinha certeza que o tempo tirava umas férias prolongadas e deixava o ponteiro do relógio parado. Depois de umas duas aulas assim, ele tentou uma nova abordagem, na esperança de se aproximar da turma pq até então, só eu fazia perguntas e comentários, depois de voltar da Americanas com um biscoito na mão. Eu empregava essa técnica vou-ali-e-já-volto para não entrar em coma profundo na sala de aula e pra garantir que o tempo não tinha morrido durante as férias.
Com esse lance de participação popular, a porca torceu o rabo e Barrabás foi solto e ele quase apanhou quando disse que nós não somos reais. O assunto significado/sonhos/realidade e irrealidade rendeu várias aulas. Ficamos ofendidos com a possibilidade de não existirmos. Começaram a gritar e debater com o professor. Alguns saíram da sala, revoltados com a não-existência. A partir dos textos indicados e das anotações no caderno, comecei a compreender bem a matéria e até a gostar muito dela. Ele melhorou e aproveitei para continuar questionando e criando analogias. O tema melhorou e parecia incrivelmente fácil e interessante. Fiquei com média 10. Ele dizia que eu devia fazer mestrado, que ia me dar bem pq gosto de ler e tals.
Ah! O livro: li Identidades Culturais na Pós-Modernidade três vezes, pra fazer um trabalho. O livro é pequeno, porém rico em conteúdo. Ele trata da construção das Culturas Nacionais, a globalização e o deslocamento das identidades, hibridismo, dentre outros temas. O livro é muito interessante.
Fonte: Escrito por Sara
Marcadores: Autor, Identidades Culturais na Pós-Modernidade, livro, livros, Stuart Hall
Livros 2008: A Arte de Escrever
Leitura 2008
Hi, people! Seguinte: juntarei a fome com a vontade de comer. Ou melhor, a falta de posts e um arquivo pra minha cachola desmemoriada. Esse ano eu quase não postei e também não comentei os livros lidos (infelizmente, não foram muitos). Agora, prometo (??) um post diário até o fim do ano, sobre um livro lido em 2008. Como não lembro a seqüência da leitura (e às vezes lia 2 ou 3 ao mesmo tempo), eles são publicados em ordem alfabética. O certo seria ignorar A(s) e O(s). Ex: "Os Sofrimentos do Jovem Werther" ficaria "Sofrimento do Jovem Werther, Os". Mas não to a fim de seguir a convenção.
Livros 2008 : A Arte de Escrever
Autor: Arthur Schopenhauer
Esse livro reúne vários textos de Schopenhauer sobre textos, escritores, estilo etc. Ele é extremamente cáustico e é impossível não rir quando ele reclama sobre alguma coisa. Pra quem curte sarcasmo, o livro é um prato cheio, uma delícia. Amei e marquei várias passagens (algumas frases foram publicadas aqui, inclusive). Schopenhauer desafia alguns paradigmas já estabelecidos. Quer um exemplo?
"O excesso de leitura tira do espírito toda a elasticidade, da mesma maneira que uma pressão contínua tira a elasticidade de uma mola. O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada minuto livre."
Mas, contrariando o escritor, recomendo "A Arte de Escrever". Custa menos de R$ 13,00, mas vale muito!
Escrito por Sara
Marcadores: A Arte de Escrever, Arthur Schopenhauer, Autor, livros
Livros: A Grande Arte
A Grande Arte
Autor: Rubem Fonseca
Na faculdade de Análise de Sistemas, tive aulas de matemática (e eu sou bloqueada pra matemática. Completamente. Parecerei uma idiota se você me perguntar de abruptamente quanto é 7x8) e esse foi um dos motivos pra eu desistir dessa área. Meu professor era inteligente pacas (pelo menos parecia) e não conseguia dar aulas para nós. E olha que o resto da turma conseguia sacar matemática. Ele falava coisas ininteligíveis para nós e quando todo mundo fazia cara de não-to-entendedo-lhufas ou quando alguém falava que ele sabia muito, mas não conseguia passar nada, ele saía da sala e ia fumar, com uma cara péssima que dizia, entre outras coisas: sou-completamente-
incompreendido. E a incompreensão foi um dos motivos pra ele desistir de ensinar alguma coisa pra gente. Tive aulas de árvores semânticas de validação, tautologia (que eu entendi!!), escalonamento e classificação de sistemas, matrizes e outras coisas que não lembro (e que também não entendi).
Enfim, esse cara me lembra o atual professor de Comunicação e linguagens (vulgo português). Além de usar enfim demasiadamente, ele também é incompreendido pela turma. Morro de pena do cara. E rio toda aula, quando ele fica com aquele olhar de ninguém-entende-nada-que-eu-
digo. O melhor é que grande parte do que ele quer comunicar, eu consigo entender. Mesmo que ele não diga. Bem, acho que consigo entender. Enfim, a questão é que ele lê pacas e adora Rubem Fonseca. Tive que fazer (sozinha, claro) o último trabalho de grupo associando Hamlet, Raskolnikov, George Samsa, Prometeu, Sherlock Holmes, Auguste Dupin e outros, a "A Grande Arte" e ao mulherengo Mandrake, narrador e personagem principal do livro. Ele é um advogado metido a detetive e envolve-se na busca de uma fita k7 desaparecida, que gerou uma série de crimes.
Tenho uma prova sobre o livro na próxima quarta e ainda estou tentando entender pq o professor acha que dois dos criminosos são heróis problemáticos e não criminosos, pura e simplesmente. Ok, praticamente não falei sobre o livro, mas jogando no google, é possível achar até resumos.
Achei o final tão frustrante...
Fonte: Escrito por Sara
Marcadores: A Grande Arte, Autor, livros, Rubem Fonseca
Livros: A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch
Autor: Leon Tolstoi
Desde que li o excelente "O Jesus que eu nunca conheci", que será comentado em breve, fiquei curiosa para ler a obra de Tolstoi. Análogo ao mote de "A Metamorfose", a vida de um homem é completamente modificada e ele repensa toda a sua trajetória sob uma nova perspectiva. Não, Ivan não vira um inseto. Ele fica gravemente doente. A morte é a premissa do livro, permeando todas as páginas, onde acompanhamos a personagem sofrer, definhar, perceber quão falsas e frágeis são suas relações com as pessoas de seu convívio.
Ivan forma-se em direito e galga posições em seu trabalho até ser juiz. Não casa por amor, e sim com uma mulher que cumpria um papel certo ante a sociedade. Tinha uma carreira promissora e uma vida que parecia boa. Quando adoece, nem as pessoas da família nem os amigos (?) entendem sua dor e acham um estorvo conviver com um moribundo. Ivan, atormentado pela idéia constante da morte, ofende-se até com o pensamento que os familiares estão saudáveis. Ele repassa mentalmente sua trajetória e começa a examinar suas decisões com um novo olhar e um novo tipo de dor apodera-se dele: a dor de não poder voltar atrás e optar por outras escolhas, que fariam a vida ser diferente e menos vazia.
Extremamente atual e pungente.
"Havia vida, e agora ela está indo embora, esvaindo-se, e eu não tenho condições de detê-la."
"A exemplo do silogismo que aprendera (...) "Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal" parecera-lhe a vida toda muito lógico e natural se aplicado a Caio, mas certamente não quando aplicado a ele próprio. (...) E Caio certamente era mortal e era mais do que justo que moresse, mas ele, o pequeno Vanya, Ivan Ilitch, com todos os seus pensamentos e emoções, é completamente diferente. Não pode ser verdade, isto seria terrível demais."
"E ele começou a repassar em sua imaginação os melhores momentos da sua agradável vida. Mas, estranhamente, nenhum desses melhores momentos de sua vida tão agradável agora lhe pareciam o que pareceram na época."
Autora: Escrito por Sara
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Livros: A Torre Negra (vol VII)
A Torre Negra (vol VII)
Autor: Stephen King Eu ainda trabalhava em Bonsucesso quando a Ana me encontrou no restaurante. No meio do papo, comentou o livro novo que estava lendo: "O Pistoleiro". Li a inquietante primeira frase: "O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.". Quem era o homem de preto? Pq ele fugia pelo deserto? E qual o motivo do pistoleiro seguir atrás?! As perguntas e o comentário dela sobre o livro me motivaram a ler toda a série. Acredite: depois que você começa, não consegue mais parar. Ao todo, foram quatro mil e trinta e oito páginas. O sétimo volume é o maior de todos: oitocentas e setenta e duas. Ao longo de dois anos, passeei pelo mundo médio, Nova York de diversos "quando", Callas e diversos lugares que a imaginativa mente de King inventava ou transformava. As personagens são improváveis. Os encontros, mais improváveis ainda. A amizade entre eles só parece ser justificada pela vontade do Ka, que afinal, é uma roda. O último livro foi barra pesada. Além da despedida da série, algumas queridas pessoas imaginárias... Opa, nada de spoiler. Mas, digamos que se eu fosse molenga, choraria no ônibus, sobre as páginas do livro. King diz que a Torre Negra sempre esteve presente em sua vida e que aparece em todos os outros livros, de alguma forma. Ele até faz parte do próprio universo da Torre, como personagem! Há uma mistura de mundos míticos com faroeste e N coisas que eu jamais teria imaginado e reunido. Foram dois anos convivendo com Roland, o obstinado, o pistoleiro perfeito, um cara que parecia saber de tudo. Dois anos com Eddie, que depois de se livrar do vício, tornou-se um pistoleiro e o cara mais hilário da saga. Foram dois anos com Jake, que mal acabara de entrar na puberdade e precisou virar um homem. Um pistoleiro. Um ano e meio acompanhando Susannah, uma mulher negra, deficiente, dividada por duas personalidas diferentes. E como não falar do trapalhão Oi, responsável pela angústia que senti quando pensei que ele ia morrer e por uma dor maior quando ele salvou a vida de alguém? Sim, eu sei que é uma ficção, mas alguns livros me transportam para outro lugar. Aliás, se lemos um livro da mesma forma que lemos um rótulo de shampoo, qual é a graça? Falar sobre essa série é trazer para a superfície uma cerga carga de emoções. O final não foi o que eu esperava. Aliás, acho que ninguém esperava aquele fim. Nenhum leitor deve ter gostado daquele fim, se conformado com ele ou pelo menos perguntado: pq? PQ?! Penso nos leitores antigos, que acompanham a série desde os primórdos (ela começou a ser escrita na década de 70, quando eu nem era nascida).
Escrito por Sara
Marcadores: A Torre Negra (vol VII), livros
Televisão: uma realidade, não a realidade
Vera Lúcia de Moraes
Independente do conteúdo veiculado, já é um consenso que a televisão (como o computador) é capaz de exercer efeitos negativos sobre qualquer indivíduo se usada como principal ponte para o mundo, desestimulando-o a vivenciar as próprias experiências, e fechando seus olhos a outras alternativas de entretenimento e informação. No entanto, sobre crianças (que antes dos 7 anos mal distinguem realidade de fantasia) e adolescentes a exagerada exposição à TV é especialmente nociva. Não é preciso ler as centenas de estudos já publicados a respeito. Qualquer professor sabe o quanto é difícil dialogar e transmitir valores a alunos superexpostos à telinha. Infelizmente, são nossas crianças as que passam mais tempo ligadas em TV no planeta. Segundo pesquisa que abrangeu dez países, são três horas, no mínimo (contra o máximo de duas horas nos demais).
O Brasil foi o pior colocado: 43% das nossas crianças não lêem livros hora alguma; 43% não brincam com amigos; 69% jamais usam computador. Em conseqüência, crescem com problemas de socialização, mal informadas e absorvendo abusivamente uma programação que apela para o consumo, o erotismo precoce e a violência. Referimo-nos à boa parte do conteúdo da TV aberta, pois TVs por assinatura oferecem rica programação cultural. Uma das razões da superexposição é uma falha em nosso sistema educacional: em média, os alunos passam minguadas quatro horas por dia na escola. A TV preenche parte do tempo restante.
A despeito do Plano Nacional de Educação, aprovado em 2001, determinar a expansão da jornada, ainda não se tomou nenhuma medida para que a meta se cumpra. O MEC quer aumentar o número de anos do ensino fundamental, ao invés de implantar o turno integral, o que possibilitaria o desenvolvimento de projetos extracurriculares, práticas esportivas e culturais e contribuiria para um sadio crescimento físico e emocional.
Outra razão para a overdose de TV está no fato dos pais brasileiros não terem muito tempo ou recursos para dedicar-se aos filhos, sobretudo nas classes baixas, que usam a TV como "babá eletrônica". Poucos avaliam a influência da TV sobre um jovem sem valores sólidos. Se ele vive em um ambiente cultural favorável e dialoga com a família e professores sobre o que assiste, não será tão prejudicado. Para o que vive em comunidades subescolarizadas e violentas e não tem a quem pedir esclarecimentos, a incorporação do confuso mundo veiculado pela TV é catastrófica.
A criança testemunha 16 mil assassinatos na telinha até os 18 anos e a exposição repetida resulta em dessensibilização.
Independente de fatores de risco (pobreza, uso de drogas etc.), a quantidade de horas que o adolescente com idade média de 14 anos vê TV está associada à prática de atos violentos: de brigas a homicídios. Entre jovens com idade média de 22 anos, os resultados foram semelhantes: a violência cresce na proporção direta do número de horas frente à TV (mais de três por dia). Foi um dos estudos mais completos sobre o tema e provou que a exposição exagerada à TV, sobretudo quando os sinais captam programas de baixa qualidade, tem efeitos perversos também sobre adultos. Como educadores, pouco podemos fazer por eles. Crianças e adolescentes, porém, estão ao nosso alcance.
Independente do conteúdo veiculado, já é um consenso que a televisão (como o computador) é capaz de exercer efeitos negativos sobre qualquer indivíduo se usada como principal ponte para o mundo, desestimulando-o a vivenciar as próprias experiências (o que mantém a mente em letargia e embota o senso crítico).
Autora: Vera Lúcia de Moraes é professora da Escola Estadual Gunnar Vingren em Várzea Grande e Suelen Dias de Moura é técnica administrativa educacional
